Ele: Primeiro que você não deve chamar ela de linda olhando pro nada, seu besta. Segura as mãos dela e depois bote o cabelo dela atrás da orelha e quando você tiver olhando pros olhos dela, aí sim, você poder chamá-la de linda.
Namorado dela: Princesa, vem aqui, deixa esse idiota pra lá.
Ele: Não, princesa ela gosta… Mas ela prefere pequena, bebê e principalmente amor. Mas não esqueça do pronome possessivo MINHA ou MEU. Se não, não. E pelo amor de Deus, não é ela que vai até você, você tem que ir até ela.
Namorado dela: O que esse guri ta querendo?
Ele: Eu to querendo que você cuide dela, porque meu caro, se você não cuidar e não fizer ela sorri a cada cinco segundos da sua vida, então pode soltar a mão dela agora, porque quem vai segurar e fazer isso, sou eu.”
“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera. Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”
- Caio F. Abreu